Uma boa definição dentro de um artigo deve parecer uma ajuda discreta, não um obstáculo. Em 2026, as pessoas fazem leitura rápida no telemóvel, saltam entre secções e, muitas vezes, chegam a uma página a meio, por isso a clareza tem de aparecer cedo. O segredo é explicar termos menos familiares de um modo que mantém a frase a avançar, preserva o tom e evita transformar cada parágrafo numa pequena aula.
Nem todas as palavras “técnicas” merecem explicação. Defina um termo quando ele é novo para o seu leitor típico, quando um mal-entendido mudaria o sentido do parágrafo, ou quando o termo é usado com um significado específico neste artigo (por exemplo, uma palavra comum com um uso mais restrito). Se o leitor consegue inferir pelo contexto sem risco, a definição pode ser dispensável.
Um teste prático é imaginar alguém que conhece o tema “por alto”, mas não trabalha na área. Essa pessoa iria parar nessa palavra e perder o fio à meada? Se sim, defina. Se o termo aparece uma única vez e não é essencial, muitas vezes é melhor substituir por uma expressão mais simples em vez de o definir. Linguagem clara é quase sempre superior a terminologia “sofisticada”.
Tenha também atenção aos “falsos amigos”: termos que parecem óbvios, mas têm um significado preciso, como “atribuição”, “volatilidade”, “latência” ou “conformidade”. O leitor pode achar que entende e interpretar o ponto de forma errada. Estes são bons candidatos a definições curtas no próprio texto, porque evitam confusões sem exigir uma pausa longa.
Decida uma regra simples para o artigo (ou até para o seu site) antes de editar. Por exemplo: definir um termo na primeira menção se for (1) central para o assunto e (2) não for conhecimento comum para o público-alvo. Isso cria previsibilidade: o leitor percebe que, se algo for importante, será explicado logo na primeira vez que aparece.
Crie uma pequena lista de terminologia enquanto escreve: 10–20 termos-chave com uma linha de significado para cada um. Não é burocracia; reduz contradições mais tarde. Quando parágrafos diferentes definem o mesmo termo de maneiras diferentes, a confiança cai rapidamente, mesmo que o leitor não saiba explicar porquê.
Se escreve com frequência sobre o mesmo tema, reutilize definições preferidas (com ajustes mínimos ao contexto). Consistência reforça credibilidade: linguagem estável, significados estáveis e menos surpresas. Quando o significado muda conforme o contexto, assinale claramente (por exemplo, “Aqui, ‘retenção’ significa…”), em vez de esperar que o leitor repare na nuance.
Uma microdefinição é uma explicação curta, apenas o suficiente para o leitor continuar. Procure “uma respiração”: em muitos casos, cerca de 6–12 palavras. Se precisa de mais, é provável que o termo mereça uma explicação numa frase separada, ou um pequeno parágrafo de apoio, em vez de um bloco enorme entre parênteses.
Use linguagem simples primeiro e, depois, o termo exacto. Isso ajuda quem não é especialista e torna o texto mais resistente ao tempo: o jargão muda, mas os significados simples continuam claros. Por exemplo, “latência (o atraso antes de os dados começarem a fluir)” costuma ser mais nítido do que uma formulação técnica, a menos que o público seja altamente especializado.
Defina o que importa neste contexto, não o termo “por inteiro”. Se o parágrafo é sobre medição, explique o ângulo da medição. Se é sobre risco, explique o ângulo do risco. O leitor não precisa de uma entrada de dicionário; precisa do significado que faz este parágrafo funcionar.
Estes modelos resultam porque são familiares e rápidos de ler: “TERMO (significado simples)”; “TERMO, ou seja, significado simples,”; “TERMO — significado simples — …”. Escolha um estilo e mantenha-o. Parênteses costumam ser a opção menos intrusiva, mas travessões funcionam quando a explicação é um pouco mais longa e a pausa soa natural.
Evite definir apenas com sinónimos. “Churn (attrition)” só ajuda se o leitor já souber “attrition”. Em vez disso, defina pelo efeito ou pela acção: “churn (clientes que deixam de usar um serviço)”. Evite também definições que incluem afirmações extra: uma definição serve para esclarecer, não para convencer.
Tenha cuidado com “empilhar definições”, isto é, explicar vários termos na mesma frase. O leitor tem de guardar vários significados novos ao mesmo tempo, e o parágrafo fica pesado. Se dois ou três termos forem novos, defina um no próprio texto e leve os outros para a frase seguinte, ou crie um parágrafo curto com um ritmo mais calmo.

O melhor lugar para definir um termo é, muitas vezes, a primeira utilização realmente relevante, não a primeira menção possível. Se a primeira vez for apenas um exemplo lateral, explicar ali pode soar forçado. Deixe a frase cumprir uma função e defina quando o termo passar a ser necessário para compreender a ideia seguinte.
Mantenha a definição perto do termo. Se a explicação surge duas frases depois, muitos leitores não ligam as peças, sobretudo no telemóvel. Quando precisa de adiar, use um sinal claro: “Por ‘X’, quero dizer…” ou “Neste artigo, ‘X’ refere-se a…”. Assim, o leitor não tem de adivinhar o seu uso.
Para termos repetidos, normalmente define-se uma vez e depois confia-se na memória do leitor. Em textos longos, um lembrete leve mais à frente pode ajudar, mas deve ser mais curto do que a primeira definição. Repetir a mesma explicação completa várias vezes torna a escrita inchada e pode irritar quem já percebeu.
Se houver muitos termos, uma pequena secção de glossário perto do topo ou do fim pode ser útil, mas sem obrigar o leitor a saltar fora do parágrafo a meio. O glossário funciona melhor como apoio: defina no próprio texto os termos essenciais e deixe o glossário para siglas, termos secundários e consultas rápidas.
Use formatação alinhada com a forma como as pessoas lêem: parágrafos curtos, uma ideia por parágrafo e definições que não sequestram a linha. Quando uma definição precisa de um pouco mais de espaço, acrescente uma frase logo a seguir à frase que introduz o termo. Esse micro-intervalo costuma soar mais natural do que enfiar tudo em parênteses.
Por fim, edite definições com o mesmo rigor com que edita afirmações. Se a definição for factual (por exemplo, um termo regulatório), confirme que corresponde ao uso actual e amplamente aceite. Se o termo for ambíguo, escolha explicitamente o significado e mantenha-o estável ao longo do texto. Essa combinação — clareza, consistência e contenção — é o que preserva o ritmo de leitura.